O Consumidor - Perfil e tendências de consumo

O padrão e o nível de consumo do brasileiro evolui num ritmo maior que o do PIB, o que é muito bom porque mostra todo o potencial de desenvolvimento do Brasil num futuro próximo. O fenômeno da globalização, desencadeado principalmente a partir da década de 90, ajudou muito nesse processo, porque expandiu uma visão de mundo de consumo e de regras vitais para se consumir, como o respeito ao meio ambiente e à igualdade de direitos, das quais antes pouco se falava.

De 2005 para cá a evolução econômica no País, em tempo de estabilização continuada da economia, deu impulso a mais a esse processo de melhora do nível e dos modos de consumo da população de mais de 180 milhões de habitantes.

Cada vez fica mais claro para todos, governo, empresariado e sociedade em geral, que o grande problema do País ainda é a desigualdade social e o começo do novo século dispara para o Brasil como a oportunidade de revisão deste cenário, com prioridade para políticas de inclusão social e, portanto, de inclusão de consumo de milhões de pessoas, o que deve ocorrer de forma gradual e contínua. Este cenário é bom para todos, mas especialmente para os que atuam na cadeia de abastecimento, como os supermercadistas.

O país, que entre as décadas de 60 e 90 ficou internacionalmente conhecido pela mais alta taxa de inflação do mundo e pelos sucessivos pacotes macroeconômicos, passou a apresentar novas feições desde a implantação do Plano Real, em 1994. Concebido para combater a inflação, seu principal efeito foi o aumento da renda domiciliar, especialmente das classes mais baixas da população.

Num período recente, entre 2003 e 2006, o crescimento anual médio de 4,8% na renda do brasileiro foi distribuído de forma diferenciada entre os segmentos da população: os de menor poder aquisitivo, graças aos programas sociais de combate à fome, como falamos, foram os mais favorecidos, com acréscimos anuais superiores a 8% na renda (contra 4,9% do grupo intermediário e 3,7% do grupo que integra os 10% mais ricos). A renda média do brasileiro subiu 6,6% em 2005, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad/IBGE), e a desigualdade, ainda em patamar absurdo em relação aos países desenvolvidos, declinou, chegando aos níveis mais baixos dos últimos 30 anos.
O número de pessoas abaixo da linha da pobreza foi reduzido de 28,2%, em 2003, para 19% em 2006. Outro dado marcante é que nos últimos anos mais de 200 milhões de brasileiros ascenderam na pirâmide de consumo e a classe D/E, que no início dos anos 90 era constituída por 60% da população, encolheu para 44% em 2007.

Segundo a LatinPanel, de 2005 até o primeiro semestre de 2007 o consumidor de baixa renda ampliou seu consumo de 21 para 31 categorias de produtos.
É importante destacar que a classe A/B também cresceu em consumo nos últimos anos e passou de 14% em 2003 para 23% em 2007. O crescimento da classe A/B se deu mais em capitais como São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba, enquanto as classes D/E nas capitais nordestinas, como Fortaleza, Recife e Salvador, o que ajuda a corrigir também uma desigualdade regional gritante entre os diferentes estados do País.

Gastos versus Renda

Pelos dados da LatinPanel, instituto de pesquisa que acompanha semanalmente o consumo de 8,2 mil domicílios em todo o País, monitorando 70 categorias das cestas de alimentos, bebidas e produtos de higiene e limpeza, em 2007 a renda média mensal da população brasileira foi de R$ 1.463,00, o que representa um crescimento real de 5% em relação a 2006. Em termos de gastos, em média a população gastou R$ 1.417,00. A diferença positiva de +3% mostra que o ano de 2007 foi muito bom para o consumo.

Em 2005, por exemplo, o cenário foi mais adverso, com a conta entre renda e gastos ficando negativa em 3%. Foi um ano de endividamento do consumidor. Já em 2006 houve sensível melhora, ficando esse percentual em +2%. Entre os gastos que mais pesam no bolso do consumidor estão:

  • Alimentação dentro do lar 17,8%
  • Habitação 13,4%
  • Saúde 7%
  • Vestuário 6,4%
  • Alimentação fora do lar 4,6%
  • Lazer 4,3%

Só em habitação, por exemplo, por ano as famílias despendem, em média, R$ 2.587,00 por domicílio.

Fonte: Abras - Associação Brasileira de Supermercados

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